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Um dia, a felicidade

Por Dr. Hélio Borges

Muitas vezes encontramo-nos soterrados de problemas e situações sem a possibilidade de uma resolução a curto prazo. Nessas horas, sonhar com a liberdade e um idealizado futuro feliz é nosso único consolo.

O problema, é que impelidos pelas constantes exigências do cotidiano e pela rotina árida da vida, onde a possibilidade de um momento de balanço e reflexão, parece impossível de se obter, esta perspectiva de "um dia conseguir ser feliz" acaba servindo como uma fuga, um auto-entorpecimento que leva ao distanciamento da possibilidade (e responsabilidade) para se encontrar esta almejada paz no dia-a-dia.

Não espere que algum dia não haja problemas e adversidades a resolver para aí sim sentir a liberdade e a felicidade. A vida é uma estrada tortuosa, oferece uma contínua sucessão de curvas, algumas bruscas e até mesmo inesperadas. Quando achamos que estamos conseguindo vencer dificuldades e organizar nossas coisas, um imprevisto pode acontecer (e geralmente acontece) tirando-nos completamente do eixo da estrada dourada pessoal que começavamos a galgar.

A vida é inquieta por si só. O simples fator de existirmos e amarmos pessoas, situações e coisas já nos expões as constantes idas e vindas destas.

É óbvio que é importante buscar separar o tempo para o lazer e a meditação. Mas não há como puxar o breque do mundo!

Nosso sossego na verdade é relativo, é temporário, fugidio. Daí a necessidade de aproveitar cada momento em que este ocorre.

Só seremos realmente livres quando pudermos enfrentar os problemas do cotidiano de forma inteira, elevada e desprendida. Quando pudermos cultivar a paz de espírito e sabedoria de forma inabalável. 

Portanto, não espere que as coisas mudem, vão demorar muito tempo, e talvez, nunca aconteçam como "estava nos planos". Atue no que é imediatamente acessível agora: mude a si próprio!

Fonte: Revista Mídia & Saúde, Julho/2004 - nº 29 - Ano2 

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