Uma queixa muito comum entre as pessoas hoje em dia, é o fracasso em conseguir concluir planos, cumprir resoluções ou atingir metas. Do cultivo de um hábito de vida a alcançar uma meta profissional. Experienciar a frustração e a sensação de não conseguir administrar a si mesmo ou alcançar com plenitude o domínio da própria vida, tornou-se para muitos uma rotina desconfortável e desanimadora. É como se os horizontes se estreitassem a cada iniciativa de movimento e todo esforço perdurasse por muito pouco tempo.
Porque o progresso, tanto íntimo quanto externo, não se faz da maneita almejada ou idealizada?
Vivemos numa sociedade de confortos e hábitos bem diferentes de nossos antepassados. Nossas atuais gerações cresceram frente à telinha da TV e acostumando-se a ficar passivamente por horas recebendo informações, sem precisar digeri-las, ou seja, sem esforço. A multiplicidade de assuntos no cotidiano, o encantamento consumista trazido pela mídia nas últimas décadas, talhou o homem moderno como aflito, inquieto, insatisfeito e inconstante.
Somos filhos de uma época, mas, não necessariamente temos de ser tocados como ovelhas em transe para o abate diário. Sobretudo neste momento, o cultivo da serenidade e autodisciplina é o maior e o mais encantador dos desafios.
Quando se almeja o progresso em qualquer coisa, este primeiro deve constar em nossa vida mental.
Querer, pretender, desejar não passam de devaneios se não houver realmente a concretização sob a forma de esforço. Não de lampejo que os grandes homens marcaram a história da humanidade, mas, sim labutando e se dedicando enquanto os outros se distraiam.
O que se vê em muitos indivíduos, porém, é uma baixa tolerência a esforços intensos e contínuos e a idéia de que as coisas deveriam ser alcançadas de forma imediata, quase mágica. Ignoram que a constância e determinação são os elementos primordiais. É aí que se encontra o grande "pulo do gato" pois, muitos sonham, mas, poucos compreendem que é preciso determinação para que os sonhos não caiam no vazio. O indíviduo que não se determina é como alguém que acende uma fogueira com meia dúzia de gravetos, mas, depois para de colocar a madeira necessária para o fogo perdurar. Ou seja: pequenos e econômicos esforços são iguais a nenhum esforço e obviamente não trarão nenhum fruto.
Ter impeditivos na conquista de um objetivo é inerente ao mundo. Mas o envolvimento e dedicação que investimos é única e exclusivamente nossa escolha.
Fonte: Revista Mídia & Saúde, Junho/2004- nº 28 - Ano 2