
"Quem não sabe medir a si próprio como há de medir os outros?" (Plínio)
Por Dr. Hélio Borges
A arrogância talvez seja o pior dos defeitos humanos. Ele é justamente o inverso da humildade, condição essencial para o aprendizado das coisas da vida. O coração humilde, em condição de aceitação do novo e do diferente aprende muito mais rápido e perfeitamente que o coração arrogante, presunçoso e cheio de "pretensas certezas".
O indíviduo arrogante comumente humilha, despreza, distancia aqueles com quem lida, elegendo este ou aquele como "merecedores" de sua simpatia e atenção. Confunde os humildes com os tolos. Acredita firmemente em seu particular "modelo de mundo", agindo para que tudo se encaixe da forma como acredita ser o certo, tornando-se cego aos seus defeitos. O arrogante chega mesmo a ponto de recriar o senso moral, ferindo a ética comum ao desenvolver uma ética pessoal. Ele não consegue cultivar o verdadeiro amor, e torna-se árido nos relacionamentos.
Há de se destacar aqui, a mistura explosiva entre inteligência e arrogância. Talvez, possamos falar que a arrogância é a primeira condição daquele que desperta intelectualmente, atravessa uma parte da vida achando entender tudo e em tudo interferir. Corre o risco de se sentir um semi-deus. Neste momento a opinião do outro, a privacidade ou ou os direitos alheios são simples "coisas" que devem ser administradas conforme ética grosseira e primitiva.
De que vale a inteligência se ela não é utiizada para o bem e para a bondade? Essa se auto-devora numa senda sem sentido e sem direção pois carece de sentimento que dê sentido "ao todo". Cai no vazio.
A arrogância é uma das grandes marca da juventude, o jovem comumente acha-se "cheio de si", pois confunde os primeiros passos com o sentido da caminhada. A coleção de cabelos brancos que vão marcando a passagem do tempo, promove o "amadurecer" desta inteligência e o despertar da verdadeira sabedoria.
A maioria das pessoas só aprende as lições da vida depois que a mão dura do destino lhe toca os ombros fazendo com que ocorra o abandono do egocentrismo, dando lugar a uma posição mais coerente com os limites que a vida impõe e a importância de considerar (e aprender a amar) o outro.
Fonte: Revista Mídia & Saúde - Maio/2004 nº 27 - Ano 2