Descobrir formas de investir tempo com qualidade em sua família não é
somente importante, mas vital para a estabilidade, unidade, saúde dos
relacionamentos e saúde mental dos filhos.
As memórias boas são construídas na infância e na adolescência e
através da escolha de tradições, rituais e oportunidades de vivenciar
datas e lugares de forma simples e criativa.
É quando as crianças estão sob a liderança dos pais que se constrõem as
lembranças que levamos por toda a vida, é uma co-construção onde os
pais criam e lideram.
As adversidades acontecem sem que os pais tenham controle sobre elas.
As perdas, os acidentes, os eventos traumáticos serão contrapostos e
superados com mais saúde quando há memória de momentos alegres,
divertidos e carinhosos em família.
A vida é repleta de momentos difíceis desde o nascimento, que nos
fortalecem, desenvolvendo resiliência, capacidade de superação e
amadurecimento. É responsabilidade dos pais, a construção de boas
memórias.
A educadora Michele Borga tem estudado, pesquisado e escrito sobre este tema, como criar memória saudável e feliz da família.
Ela relata que pesquisas mostram que simples rituais aumentam
sentimentos de pertencimento e aconchego e também aumento da habilidade
social e desenvolvimental da criança.
A memória é construída através de momentos que se repetem e
transformam-se em rituais que ficam registrados como momentos felizes e
tornam-se recursos para momentos quando as adversidades chegam.
É maravilhoso ter boas memórias, e como as crianças e adolescentes vão
se lembrar desta época na vida adulta? Com boas ou más memórias em
famílias? Este é um grande desafio.
Como as boas memórias influenciarão sua vida no futuro? Quais as conseqüências da memória de coisas ruins?
Ron Luce, autor do livro ‘Recreate: Buiding a Culture in our Homes that
is Stronger than the Culture Deceiving our Kids' (sem tradução para
português) relata que grande porção da cultura de uma família é
construída a partir de coleção de narrativas e memórias, algumas
verdadeiras e outras falsas, algumas engraçadas e outras difíceis.
Toda
esta vivência entre família cria uma atmosfera que nos define como
somos.
Uma das chaves da construção da saúde da família é se perguntar
constantemente: que tipo de memória estou criando agora, boa ou má?
Não é somente pensar "o que estou fazendo neste momento para minha
família ou o que estou proporcionando para a mesma, mas que tipo de
memória estou imprimindo na mente dos meus filhos?"
Muitos de nós temos sofrido com a ilusão de que simplesmente temos que
ganhar dinheiro extra para dar mais conforto à família, mais coisas é
que irão proporcionar uma boa infância e uma boa adolescência.
Constantemente nós acabamos substituindo o processo de criação de
memórias significativas por presentes e coisas materiais. Também
constantemente nos esquecemos que a dedicação para a criação de momentos
felizes e construção de memórias boas, tem um custo irrisório, mas
criarão grandes histórias de famílias e significantes lições éticas que
serão guardadas na memória de nossas crianças, para que no futuro criem
suas próprias heranças e legados familiares, para suas próprias
crianças.
Como você gostaria de ser lembrado pelos seus filhos: como pais que fazem coisas para eles ou com eles?
Nada é mais forte do que a memória criada pela vivência em família e
cabe relembrar que os pais são os responsáveis pela co-construção da boa
ou má memória de seus filhos.
Iara Monteiro de Castro
Psicóloga (CRP 08/02255). Terapeuta de Casal e Família pelo Chicago
Center for Family Health - Universidade de Chicago. Coordenadora Geral
da Pós-Graduação: Instituto da Família - FTSA
Fonte: http://www.ftsa.edu.br/midias/artigos/68-a-construcao-da-memoria-da-familia