
OS ERROS DO
PASSADO
* Dr. Hélio
Borges
Assumir as próprias faltas é fundamentalmente para o desenvolvimento do caráter e da
maturidade, porém, ficar remoendo um erro ou uma falha passada é um péssimo
hábito. Cada um faz a cada instante na vida o que realmente pode e entende da
existência naquele momento.
No percurso da vida somos fadados a cometer muitos acertos,
mas, também muitos erros. Erros que provavelmente naquela época parecia "o que
era o melhor a ser feito". Agimos conforme nossa estrutura psíquica e
compreensão de mundo a cada instante, ou seja, segundo nossos recursos mentais
e pessoais daquele momento. O pensamento "eu hoje faria aquilo de outra forma",
portanto, carece de sentido e traz embutido um improdutivo sentimento de
lamentação, pois o que "somos hoje" é produto daquilo que decidimos fazer
naquela ocasião. Se hoje pensamos diferente sobre a mesma situação, é
justamente porque tivemos de experimentar dissabor do fracasso do
arrependimento que ela nos trouxe.
Igualmente não podemos enxergar os acontecimentos apenas por
nossa ótica pessoal. Muitas vezes, decisões que tomamos no passado e que hoje
não nos parece ter sido melhor para nós, influenciaram ou movimentaram a vida
de outras pessoas para coisas que hoje são fundamentais para elas. Isto apenas
demonstra que existe um propósito, um porquê em tudo na vida e que todos os acontecimento estão intimamente
interligados.
Criticar o outro por atos passados pode vir a ser um
exercício de injustiça, pois o criticado naquela ocasião possivelmente tenha
procurado "dar o melhor de si" acreditando que agia corretamente. Quem está de
fora está dando uma opinião baseada em sua realidade e não de quem procura
criticar.
Aprender com as lições do passado é obrigação de qualquer
indivíduo. Mas ficar sistematicamente remoendo-o é sempre infrutífero.
* Dr. Hélio
Borges é psiquiatra e psicoterapeuta - CRM 16.914
Fonte: Revista Mídia & saúde,
Agosto/2004, nº 30, ano 3.