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Não se esqueçam da rosa de Hiroshima

Professor Jorge Queiroz    Por Jorge A.Queiroz e Silva      
  Domingo, 06/09/2020, 13h15
  Fonte: Por e-mail - De Curitiba
 
         Bandeira do Brasil
Foto: Registro de explosão em Hiroshima. Crédito da imagem: Revista Aventuras na História.
Foto: Registro de explosão em Hiroshima. Crédito da imagem: Revista Aventuras na História.

Robert Lewis, copiloto do avião enoja Gay, em 1945, ao ver o impacto da explosão da bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima, escreveu em seu diário: "Meu Deus o que fizemos?"

Na história da humanidade sempre existiram disputas sobre uma nova tecnologia. Não foi diferente com a produção da bomba atômica. Albert Einstein dissera a Roosevelt, presidente dos Estados Unidos, após receber o Nobel de Física de 1921, que deveria ficar atento e acelerar as pesquisas, antes que os outros o fizessem.

Mediante o texto Ciência mortal: explosão de laboratório, de Lama (2004), conta-se como o grupo que produziu a bomba atômica permanece isolado no deserto, controlado pelo governo americano na realização do Projeto Manhattan.

No processo de construção da bomba, os cientistas passaram a ter dúvidas de fundo moral. Conforme Lama (2004), o poder político e econômico não valorizou seus questionamentos, e o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, determinou que a bomba atômica fosse lançada no Japão. As informações são desencontradas, mas, segundo a Folha de São Paulo (2005):

[...] Só em Hiroshima morreram, em 1945, 140 mil pessoas devido à bomba. Até 2005, foram somadas outras 5.375, reconhecidas como vítimas da destruição nuclear na cidade. Desta forma, o número oficial de mortos pelo ataque atômico já chega a 242.437. Em Nagasaki, o número de vítimas fatais é de cerca de 135 mil. 

Diversos acordos foram realizados entre os países. O Tratado Abrangente de Proibição de Ensaios Nucleares (CTBT) permite testes com armas nucleares, somente em simulações. Desde 1996 o tratado espera ser ratificado para entrar em vigor.

Da mesma forma, tratados e acordos de controle de armamentos entre Rússia e os Estados Unidos não foram implementados. O único acordo, o Tratado START 2, de 2010, irá se esgotar em fevereiro do ano vindouro e, caso não seja renovado, os russos e os estadunidenses não estarão mais comprometidos com os limites de produção de ogivas e vetores.

Além da Rússia e dos Estados Unidos, Coreia do Norte, China, Israel, França, Índia, Reino Unido e Paquistão têm ogivas nucleares. Sergio Duarte, presidente da ONG Conferências Pugwash sobre Ciência e Assuntos Mundiais, explica:

Nove países possuem hoje aproximadamente 14 mil ogivas nucleares e se empenham em aperfeiçoar a capacidade destruidora de seu armamento, que consideram necessário para sua segurança.

detonação de uma fração desse potencial explosivo teria efeitos catastróficos para todas as nações e ameaçaria a própria sobrevivência da humanidade. Nenhum país ou órgão internacional teria capacidade para tratar adequadamente a imediata emergência humanitária decorrente de seu emprego contra regiões habitadas. 

Passados 75 anos da tragédia da bomba atômica sobre o Japão, o Planeta continua sob o signo da intranquilidade promovido por noves Estados Nucleares.

Mediante esse quadro cinzento, convido leitores e leitoras à reflexão, com Vinícius de Moraes (1913-1980), que desenvolveu o poema A Rosa de Hiroshima, em 1946, para o livro Antologia Poética, cujos versos postos em música, no ano de 1973, tiveram repercussão nacional por intermédio do grupo Secos e Molhados:  

A Rosa de Hiroshima  

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.  

Jorge Antonio de Queiroz e Silva, historiador, palestrante, professor.

  

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