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Discursos de Bolsonaro

   Por Jorge A.Queiroz e Silva
  Segunda-feira, 07/01/2019, 08h13
  Fonte: Por e-mail


Foto: Milton Hatoum: “A vitória de Bolsonaro liberou o racismo, o machismo e a homofobia. Ele fala de negros como se fossem animais.” Crédito da imagem: A Crítica.
Foto: Milton Hatoum: "A vitória de Bolsonaro liberou o racismo, o machismo e a homofobia. Ele fala de negros como se fossem animais." Crédito da imagem: A Crítica.

Nos dois discursos de posse, em 1.0 de janeiro, Bolsonaro sequer abordou o enfrentamento da pobreza e das desigualdades sociais. Disse, escassamente, que o brasileiro pode almejar melhores possibilidades "para usufruir do fruto do seu trabalho pela meritocracia." Esta é possível desde que o Estado ofereça, realmente, possibilidades para os sujeitos sociais realizá-la.

Embora o presidente de extrema-direita tenha falado que reafirma seu compromisso "de construir uma sociedade sem discriminação ou divisão", o seu histórico de vida pública é contraditório. Lembremo-nos de polêmicas frases de Bolsonaro:

À TV Câmara, em 2010, enfatizou: "O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele. (...) ainda bem que eu levei umas palmadas, meu pai me ensinou a ser homem."

Ao programa CQC, da TV Bandeirantes, em 2011, frisou que não discutiria "promiscuidade" quando questionado pela cantora Preta Gil sobre como reagiria caso seu filho namorasse uma negra.

Durante uma palestra para aproximadamente 300 pessoas no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, em 2017, foi categórico: "Eu tenho 5 filhos. Foram 4 homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher".

Ainda, na referida palestra, lembrou da visita realizada a um quilombola: "O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais".

Não é à toa que Milton Hatoum, consagrado escritor e ganhador do prêmio Roger-Caillois, em entrevista ao Libération, jornal de opinião diário de Paris, França, aos 12 de dezembro último, afirmou que Bolsonaro representa ameaça para as minorias sexuais, negros, indígenas e mulheres: "A vitória de Bolsonaro liberou o racismo, o machismo e a homofobia. Ele fala de negros como se fossem animais."

No entanto, Hatoum não crê que a democracia entre em crise e nem tampouco a instalação de provável ditadura: "Nossas instituições são frágeis, a justiça é tendenciosa, mas funciona. O Brasil mudou muito. É um país mais complexo, instruído, urbano."

  Jorge Antonio de Queiroz e Silva é historiador, palestrante, professor.



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