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Jussara, além do Ivaí (1951-1954)

   Por Jorge A.Queiroz e Silva
  Sábado, 01/12/2018, 20h27
  Fonte: Por e-mail


Foto: Autor do livro Jussara Além do Ivaí, professor Quirino R Maia | JB Treinamento
Foto: Autor do livro Jussara, Além do Ivaí, professor Quirino R Maia 

O autor Quirino Ramos Maia apresenta, neste livro, informações variadas, pois objetiva levar ao leitor a lembrança tanto do cotidiano quanto de comentários e textos documentais.

Entre as informações da primeira parte do livro, contextualiza a chegada da Missão Econômica vinda da Inglaterra, chefiada por Lord Edwin Samuel Montagu, em 1923, com o objetivo de contribuir com o governo do Presidente Dr. Arthur da Silva Bernardes na questão de "sanar as questões financeiras e amortizar a dívida brasileira com a Inglaterra" (p.12). Tal missão, que passou a se chamar Missão Montagu, tinha como meta principal "avaliar o estado das finanças do Brasil, que solicitava um empréstimo aos banqueiros ingleses" (p. 35).

Tal missão teve diversos desdobramentos, um deles foi o desenvolvimento do cultivo de algodão no norte do Paraná, através da instalação da Companhia de Terras Norte do Paraná. Como consequência desse projeto inglês, em 1929, teve início a cidade de Londrina. O primeiro lote vendido pela Companhia de Terras Norte do Paraná, colonizadora desde 25 de setembro de 1925, foi comprado pelo imigrante japonês Mitsugi Ohara.

No início da década de 1950, eram muitos os que chegavam a Jussara, nome derivado do Palmito Juçara, da palmeira Euterpe edulis. Conta Quirino Ramos Maia que José Bordin, no local, construiu inicialmente, em 1953, um salão comercial e voltou para buscar a família no Rio Grande do Sul. Tudo o que trouxeram foi vendido em uma semana, como banha de porco em lata de dois quilos, fardos de Jabá, farinha de mandioca, fumo de corda, leite em pó, etc. (p. 171-172).

O autor cita como "início de tudo" (p. 114) a certidão de nascimento de Jussara, pela Lei Municipal n.0 12, do ano de 1952, sancionada pelo Prefeito Municipal Silvino Lopes de Oliveira, primeiro Prefeito Municipal de Peabiru, que estabelece, no Artigo 10: "Ficam criados os Distritos Administrativos de JUSSARA, Cianorte, Tuneira do Oeste, Rondon, Cidade Gaúcha, Cruzeiro do Oeste, Maria Helena, Porto Camargo, Umuarama e Iporã". (p. 114). Mais tarde, essa área, Jussara, se desmembrou do Município de Peabiru.

Vai mencionando as datas e fatos considerados mais importantes, como a primeira missa celebrada por Pe. João Osman, em 2 de fevereiro de 1953, onde hoje se encontra a Creche Sonho de Criança; o início da circulação dos primeiros carros, em 1954, e dos primeiros transportes coletivos. Com o crescimento da população apareceu o primeiro indício para elevação da Vila a Município, cuja instalação ocorreu em 8 de dezembro de 1955.

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Refere que área de Jussara foi dividida em três glebas de terra: Gleba Patrimônio Jussara Zona Ivaí, a Leste; Gleba Cananeia, ao sul, e gleba Ligeira ao Oeste. Cita como primeiros proprietários de terra em Jussara Mario Sergio de Carvalho, Márcio Tavares de Menezes, diversos japoneses, como os irmãos Ishinosuke e Teru, os filhos Tokitsugo, Ykunoshin Shozo e Yoshiaki Kimura, entre outros (p. 116,117). Relata que chegavam colonos de diversas partes do país, como Nelson Antônio Geara, a família Serapião de Oliveira Maia, pai de Quirino Ramos Maia, o autor (p. 119). E acrescenta que, entre outros, chegaram, em agosto de 1951, os irmãos Andradas (Alfredo, José Henrique, Genuíno e Antonio), que instalaram uma serraria (p. 126).

Relata que, com o crescimento da população, as madeiras de Lei caíam por terra e eram utilizadas na construção de casas e comércios. O cafezal era plantado em covas de 30 x 60 cm, feitas por peões. Por outro lado, depois de citar a presença das mulheres na Bíblia, faz considerações sobre o trabalho das mulheres, que, além de cozinhar para a família e as pessoas que ajudavam, de cuidar da roupa, lavando na água da mina, cortavam lenha, prendiam o gado, costuravam ajudando muito no aumento dos recursos.

Considera que o começo da construção do Patrimônio de Jussara se deu com a chegada do primeiro grupo de pessoas vindo de água Boa, atualmente distrito de Paiçandu, para construir a primeira casa, tornada Hotel da Companhia de Melhoramentos. O proprietário administrador era Américo Carlos Cariani. Um dos membros desse grupo foi Pedro Luiz de Oliveira Filho, conhecido como Pedro Louco, o Pedro Coveiro. Pela Lei Municipal n.0  877/2002, a partir desta data, o Cemitério Municipal passou a se chamar Cemitério Municipal Pedro Luiz de Oliveira Filho, projeto de Wilson Aparecido Reck, lei sancionada pelo Prefeito Ailton Vieira de Matos (p. 147-148).

Cita a exuberância da flora, como a peroba amarela, o guatambu, o cedro vermelho, rosa e branco, as canelas, o ipê, as árvores frutíferas, como a laranja silvestre, a laranja comum, as altas taquaruçus, e as orquídeas. Dentre as aves, o tucano, a pomba, o anu, o sabiá, o jacu, e animais, como onça-pintada, jacutinga, cateto, porco e cachorro-do-mato, tatu, veado, macaco, entre muitos outros.

Entre outros eventos, menciona a presença dos espanhóis, como Ruy Dias Melgarejo, responsável pelo reconhecimento do rio Ivaí, às margens do qual foram fundadas vilas, como a Villa Ricca Del Espírito Santo. Vila que tinha como característica marcante os muros altos e as casas pequenas. "A escravização era constante. Os indígenas foram enganados e perderam a paz com a chegada dos espanhóis. A população indígena ia de 20 a 50 mil índios Guaranis, que tiveram de se submeter ao regime de escravidão". (p. 103-104).

E sobre o nome do livro "Jussara, além do Ivaí", explica que a travessia dos colonizadores em direção a Guairá, "era feito a nado ou por jangadas construídas na hora, com troncos de madeira" (p.106), ou seja, a região além do Ivaí se formou e foi desbravada por essa estrutura de travessia do rio. Em seguida, a Colonizadora providenciou a construção de uma balsa.

Entre 1951 e 1952 profissionais da Companhia de Melhoramentos Norte do Paraná faziam a marcação das ruas, um dos funcionários era José Romero, pai da professora Maria Célia Romero Maia, esposa do autor. E os primeiros lotes urbanos foram adquiridos. Nomes e costumes do cotidiano estão citados nas p. 153 a 156. Escreve o autor: "Em Jussara, faça uma análise da mistura de povos que formou essa nossa sociedade, tão dinâmica e trabalhadora de onde saíram doutores em todas as profissões". (p. 160).

Sobre o cotidiano, cita a movimentação dos que chegavam no hotel do Cariani, principalmente dos corretores da Companhia de Melhoramentos. Dá o significado das denominações Jacu, Gato, peão, como eram feitos os pernoites, como eram os jiraus de vara e a organização do grupo.

Na última parte do livro, cita os topônimos dos Logradouros em número de 25, observando "a desvinculação desses nomes com a população" (p. 184), uma vez que se contextualizam no tempo em que foram nominados, o que é uma característica comum a outros lugares.

O autor finaliza destacando que os relatos presentes no livro podem estimular pessoas da área de História a retomarem o trabalho seguindo em frente até o período atual.

  Jorge Antonio de Queiroz e Silva é historiador, palestrante, professor.



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