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Greve, já!

Por Jorge Antonio de Queiroz e Silva - domingo, 09/10/2016, 10:50

Vive-se, novamente, um clima tenso entre o governo do Estado e os (as) profissionais de educação da rede estadual de ensino, por causa de um Projeto de Lei encaminhado por Beto Richa, governador do Estado, à Assembleia Legislativa do Paraná. Esse Projeto determina o parcelamento de progressões e avanços atrasados de aproximadamente 700 milhões para o ano vindouro, além da suspensão do reajuste do funcionalismo, programado para janeiro de 2017, conforme acordado no desfecho da greve do ano passado.

Massacre de 29 de abril do ano passado. Crédito da imagem: HUFFPOST Brasil.
Massacre de 29 de abril do ano passado. Crédito da imagem: HUFFPOST Brasil.

Mediante esse quadro de insegurança, o Conselho do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) decidiu, na última quinta-feira, 6, realizar uma Assembleia no próximo dia 12 de outubro, quarta-feira, e greve a partir de 17 de outubro.

Sobre a possibilidade de uma nova greve, Beto Richa, ao ser questionado pelo portal CGN, de Cascavel, no Oeste do Estado, disse: deve ser "brincadeira." E ele intimou o Sindicato, inadequadamente:

Em vez do sindicato cuidar do interesse dos professores, querem me prejudicar para me desgastar politicamente. Eu me dirijo aqui aos paranaenses e digo que o dinheiro é de vocês, que pagam impostos, e eu tenho obrigação de administrar bem.

Com essa fala, o distinto governador do Paraná, que recebe ao mês R$ 33.763,00 (com aumento previsto de 39.293,32 ) e, quando terminar o seu mandato, em 2018, se aposentará com os mesmos valores, joga o povo paranaense contra os (as) incansáveis profissionais da educação.

Ora, o maior arrocho já recai sobre o funcionalismo público.  Lembremos que todo mês, a partir da questionável reforma da Paraná Previdência aprovada à bala, literalmente, no famigerado Massacre de 29 de abril de 2015, o governo do Paraná abocanha R$ 125 milhões da poupança dos (das) servidores (as), além da taxação, no valor de 11%, dos inativos do Estado (os educadores e as educadoras são exemplos), que recebem acima do teto da Previdência Social, que na atualidade é   R$ 5.189,82.

E, agora, de forma autoritária, Beto Richa vai contra o Estado Democrático de Direito, ao propor o parcelamento de progressões e avanços e o cancelamento do reajuste do funcionalismo, via Projeto de Lei. Direito adquirido é para ser cumprido, conforme reza a Lei. A postura de Richa é inconstitucional.

Jorge Antonio de Queiroz e Silva é historiador, palestrante, professor


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