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Histórias de Jussara - Pela Trilha da Mata

Relato de Alcides Petita, segunda-feira, 11/01/2015, 10h18
Redação final de Joaquim B. de Souza


No final de 1951, com doze anos de idade, vim com minha família da cidade de Orlândia, do Estado de São Paulo, para formar lavoura de café no município de Jussara como arrendatário.

Com meus pais e irmãos, rompemos mata adentro pela Estrada Cristalina, que na verdade parecia apenas uma picada entre a mata densa, até encontrar o lote, cerca de oito quilômetros do então patrimônio de Jussara.

A mata do lote de dezoito alqueires já havia sido derrubada, a nós cabia agora fazer a queimada e plantar o café. Lembro-me bem, esse foi o primeiro lote aberto na Estrada Cristalina. Em seguida, outros foram chegando para fazer o mesmo: formar lavoura de café. Logo, a paisagem da estrada tinha sido mudada, da mata densa e perigosa à lavoura café.

Entretanto, o sonho também andou se esbarrando nas geadas constantes. O próprio Banco do Brasil começou a pagar para arrancar o café. Por teimosia ou sonho, insistimos até a grande geada de 1975 que devastou os cafezais do Paraná inteiro.

De nossa propriedade sessenta mil pés de café foram dizimados e arrancados, agora já com trator. Novamente, fomos os pioneiros no plantio mecanizado da soja - o então apelidado da época de "feijão cabeludo".

A cultura de café havia ficado para trás. Entretanto, antes de migrarmos para a soja, experimentamos a cultura do algodão, mas foi por pouco tempo. Os fardos de algodão nós entregávamos em Cianorte, na Olivic. Antes, o café, entregávamos em cafeeiras de Terra Boa.

A cultura da soja se firmou. No início era trabalhoso, plantio manual e beneficiado em cambão ou nas pequenas máquinas trilhadeiras com a produção entregue em cerealistas aqui em Jussara. Entretanto, logo surgiu à mecanização e, tratores e colheitadeiras, vieram para substituir os serviços manuais e grandes cooperativas vieram para substituir os pequenos cerealistas.

Nota do Editor

Foto: José Juliani (Avenida Paraná, Londrina, em 1933) exemplo do início da colonizaçãoQuando ouvimos relato de que "nos estabelecemos na Estrada Cristalina", por exemplo, não temos a real situação de como eram essas estradas. Esta foto de José Juliani (Avenida Paraná, Londrina, em 1933), dá a real dimensão da colonização de nossa região.

O cultivo da soja no Paraná começou timidamente entre ruas dos cafezais. A partir da quase dizimação dos cafezais na década de 70, essa lavoura ganhou impulso vindo em pouco tempo a substituir os cafezais na maioria das regiões do Estado.

No município de Jussara, em 1977, foi inaugurada a Cooperativa de Cafeicultores de Maringá - Cocamar. Devido à expressão "cafeicultores" não fazer mais sentido, uma vez que, os cafezais praticamente tinham sido erradicados, mudou-se para Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá. A cooperativa contribuiu com o grande impulso ao cultivo da soja e do trigo, disponibilizando técnicos e insumos e uma excelente infraestrutura de recebimento da produção em suas unidades de recebimentos em várias outras cidades, além de Maringá. Posteriormente, passou-se a ser denominada de Cocamar Cooperativa Agroindustrial.


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