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Histórias de Jussara - do campo à cidade

Relato de Julio Lino Martins - segunda-feira, 28/12/2015, 20h40

Palmeira Butiá deu origem ao nome Estrada Butiá

Em 1957, deixamos a cidade de Santo Anastácio, Estado de São Paulo, para virmos residir no município de Jussara, como colonos no sítio de propriedade do senhor Antonio Maruqui, na estrada Mamonal.

Família grande, chegamos em onze pessoas, meus pais e nove irmãos e irmãs. Nessa propriedade da Estrada Mamonal ficamos em torno de um ano e sete meses tocando café já formado e cuidando de outras lavouras, como milho, arroz, feijão, plantado entre as ruas dos cafezais, muito comum esse tipo de trato para ajudar na complementação da renda, além disso, a terra era muito fértil propício a esse tipo de cultura.

Depois desse tempo, fomos morar na propriedade do senhor Zigmundo Dosdek, na Estrada Butiá, desta feita, como empreiteiros para tocar lavoura de café já formada. Por quatro anos nessa propriedade entregávamos a colheita aqui em Jussara, embora frequentássemos o Distrito de Malu. Posso afirmar com certeza de que a origem do nome Estrada Butiá é devido à grande quantidade de palmeiras Butiá presentes na região.

Após esses quatro anos, mudamos para Estrada Palmeiras na propriedade do senhor Nivaldo, gerente do Banco Nacional. Também, a forma de contrato foi como empreiteiro. Nesta propriedade também ficamos por quatro anos tocando lavoura de café.

A partir desse tempo, voltamos para a Estrada Mamonal, agora não para tocar lavoura de café e sim a chamada lavoura branca: algodão, milho, soja, mas sem contrato, apenas como volante, ou seja, recebendo por diária para fazer de tudo na propriedade. A propriedade do lote também era do senhor Zigmundo Dosdek.

Principalmente, no início, uma das principais características da região era a precariedade das estradas rurais, muitas nem podia ser chamadas de estradas e sim verdadeiras picadas. Não tinha conservação, não tinha manutenção. Os próprios sitiantes, colonos, empreiteiros e outros agricultores arrumavam as estradas no braço com suas enxadas, enxadões, picaretas, e todos os tipos de ferramentas necessárias para arrancar tocos do meio da estrada e tapar valas e buracos feitos pelas chuvas.

Mas muitas coisas boas se podem registrar dessa época. Rios com água e peixes em abundância, ao contrário da atualidade que além de pouca água e poucos peixes, são assoreados e poluídos. Também é possível registrar que o povo da região frequentava a Venda Queimada e a Venda Buriti, pois se deslocar para cidade, devido as dificuldades de transportes, só em caso especiais.

Outra característica importante da época é que os cerealistas, as cafeeiras, compravam a produção e buscavam na propriedade, pois praticamente ninguém tinha como transportar a colheita para vender na cidade.  

Um registro importante é de que durante os quatro anos de minha formação primária estudei na Escola da Estrada Palmeira e o professor foi o senhor Minoru Shimada, o Shimadinha. Digo isso com muito orgulho porque recebi desse professor uma excelente formação.

Depois desse tempo todo na zona rural do município de Jussara vim para a cidade em 1981 e o meu primeiro emprego foi na empresa privada SAPO - Serviço de Água Potável. Primeira empresa de água potável de Jussara, antes do SAMAE. Depois já pela prefeitura fui zelador a Igreja Matriz; zelador da Escola Américo Carlos Cariani; depois fui funcionário no Bosque Municipal; em seguida, zelador da Rodoviária e, a partir de 1992, até me aposentar, fui funcionário no Hospital Municipal José Praxedes da Silva, seu fundador.

Assim, a partir da chegada com meus pais no distante ano de 1957, aqui nesta terra colossal formei a minha própria família, fruto de muita luta, trabalho e honestidade.


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