Lembranças de Vinicius de Moraes

Rememoram-se 40 anos de falecimento de Vinicius de Moraes (19 de outubro de 1913 a 9 de julho de 1980), porém ele continua vivo no imaginário social, na diplomacia, na dramaturgia, na poesia, no canto e na composição, só para dizer alguns dos seus talentos. (Prof. Jorge Queiroz)

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Enumero três momentos da vida de Sergio Fernando Moro, natural de Maringá - PR (10 de agosto de 1972), ex-ministro da Justiça, ex-magistrado, professor universitário. (Texto Prof. Jorge Queiroz)

Massacre do Centro Cívico completa cinco anos

Aos 29 de abril de 2015, educadores (as) do ensino básico e universitários (as) estaduais e estudantes, em greve, repudiavam o Projeto de Lei 252/2015, encaminhado por Beto Richa, ex-governador do Paraná (janeiro de 2011 a abril de 2018) e réu em ações por inúmeros crimes, à Assembleia Legislativa, que alterou a ParanaPrevidência. (Texto Prof. Jorge Queiroz)

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História de Jussara – do Trem a Saudade

Por Joaquim B. de Souza - quarta-feira, 23/12/2015, 17h42

Bar do Gaúcho onde comprei água mineral no 1° dia na cidade. Ainda aparece: Barbearia do Zé Cadare, Mercearia do Lino Versuti, a Padaria dos Romano Valverde, o Bazar Shimada.
Foto do Acervo da Prefeitura: Bar do Gaúcho onde comprei água mineral no 1° dia na cidade. Ainda aparece: Barbearia do Zé Cadare, Mercearia do Lino Versuti, a Padaria dos Romano, o Bazar Shimada.

Uma data que me lembro sempre carinhosamente é de minha chegada à Jussara. Há 46 anos eu cheguei em Jussara em companhia de meu avô João Honório e de minha tia Sebastiana, que veio transferida pelos Correios, na época DCT - Departamento de Correios e Telégrafos, do Distrito de Aquidaban, e de Irma Grilo, afiliada de minha tia.

A proposta de minha vinda, ao quatorze anos, era fazer companhia ao meu avô e acompanhá-lo; primeiro pela sua idade já avançada, em segundo, crítico ferrenho ao regime militar não media suas palavras em altos brados para criticar duramente as barbaridades, as atrocidades do pior regime e governo que vivenciei até hoje: a ditadura militar.

Em terras estranhas, isso poderia representar algum perigo se fosse mal interpretado, pois alguém poderia denunciá-lo, podendo ser perseguido até mesmo torturado, muito comum durante aquele regime.

De Aquidaban até aqui, em 1969, podia ser considerada uma viagem longa. Pois de Aquidaban a Marialva era uma de estrada de terra batida; de Marialva a Maringá menos mal - o asfalto. Porém, de Maringá a Jussara, aí o bicho era feio! Todo trecho de estrada de terra, pó em alguns trechos e barro em outros. De ônibus, quatro horas para fazer esse trecho.

Chegamos a Jussara na boca da noite. Tempo para se hospedar no hotel, antigo hotel São Pedro, onde hoje é a Ava Lanches e o Cartório de Registro Civil, ao lado do Cine Jussara, que depois passou a chamar Cine Santa Maria.

Do lado de baixo, nas duas datas vazias tinha um circo, da janela do hotel eu via toda a movimentação e pelo alto-falante do circo, soube logo que entre os artistas tinha uns conhecidos meus, dos tempos que morei em Maringá, na Vila Operária.

Um deles, um sanfoneiro na minha idade na época também estava sendo anunciado. Eu conhecia esse artista de Maringá, da época em que morei lá entre 1965 e 1966, mais ou menos por aí. Eu tinha estudado na mesma escola, na Vila Operária.

Tratei logo de avisar ao meu avô que iria dar um pulo no circo. Claro que a reação foi ao contrário me proibindo veemente, pois não conhecia ninguém ali. Conhecia sim, eu conhecia o artista do circo, numa feliz coincidência!

Fui ao circo apenas para cumprimentar o artista que depois de me apresentar na bilheteria me permitiram ir até ao camarim, oportunidade em que tive de reencontrar o pequeno amigo que não o via há quase três anos, desde 1966. Depois de umas poucas palavras voltei para o hotel.

No dia seguinte, fomos para a nova casa, ao lado do Bazar Shimada, hoje Escritório de Contabilidade Ramos, ao fundo da barbearia do "Zé Cadare" e da Mercearia do Lino, onde hoje é a padaria do Manzini e da oficina Dioguinho Motos. Daí em diante, uma nova missão: fazer novos amigos. Pelo menos por hora, Aquidaban e Marialva tinham ficado para trás.

Do dia em que eu cheguei a Jussara, em 21 de junho de 1969 até o dia 02 de agosto do mesmo ano, meu primeiro dia de aula, no Ginásio Américo Carlos Cariani, não foi possível fazer amizade, apenas conhecer o primeiro deles, Odair Capelette, pois morávamos ao lado da padaria dos Capelette, e fazíamos compras lá, onde hoje está Comunidade Evangélica Ebenézer.

Embora as férias do meio do ano ainda não tinham chegado, minha tia achou melhor esperar pelo mês de agosto, pois seria iniciado o segundo semestre num prédio novo. Pois, o velho prédio estava muito precário, chovia dentro, e estava localizado numa área de muita quiçaça.

No primeiro dia de aula, ao chegar ao Ginásio, cumprimentei o Odair que já estava entre seus amigos. Odair me apresentou ao Hamilton, conhecido como Pirituba. Pirituba foi logo perguntando de onde eu tinha vindo; ao saber que era de Aquidaban, distrito de Marialva; disse firme, vai chamar Aquidaban! Está aí um apelido que muitos me chamam até hoje e eu faço questão de preservar.

O Pirituba me apresentou ao Mizael, que me apresentou ao Jorge Queiroz, que me apresentou ao Paulinho, o Paulo Tavares. Depois é claro, frequentando o ginásio foi possível fazer outras amizades. Mas a que perdura até hoje em destaque é com Jorge Queiroz e Paulo Tavares.

Jorge Queiroz é professor, historiador, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, atualmente mora em Curitiba, mas mantém uma coluna neste site, onde semanalmente gentilmente envia artigos importantes para publicação. O Paulo Tavares, com esse me encontro sempre, pois continua como eu, morando em Jussara, na época que nos conhecemos era denominada de "A Cidade Amizade".

Todos os dias à tarde eu sentava em frente ao salão do Zé Cadare para ver o pessoal que chegava de trem. A Av. Gastão Vidigal ficava cheia de gente que desembarcava e subia até ponto de ônibus, no Bar do Zé Ortiz, para tomar o ônibus para Cianorte, ou adiante. Sempre, a minha esperança era de que entre aquela gentarada toda podia estar um parente vindo de Aquidaban para nos visitar. Isso eu nunca vi acontecer!

Depois de sete meses, a saudade se tornou insuportável! Numa manhã de domingo fugi para retornar para a casa de meus pais em Aquidaban. Meu avô faleceu em 1979, dez anos depois. Minha tia, aos 94 anos, vive em Marialva junto de familiares.


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