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Revolta de Canudos

Com a leitura do clássico Os Sertões, de Euclides da Cunha, que trata do conflito de Canudos e que teve e tem repercussão internacional (edições na Itália, França, China, Holanda, Estados Unidos, Argentina e Suécia), o leitor conhecerá um dos problemas estruturais agrários do Brasil.

Voltaire Schilling, escritor e professor de História, diz que Os Sertões tornou-se um marco na literatura brasileira e universal, uma obra de referência obrigatória para que sejam entendidas as complexidades do País.

Antônio Conselheiro. Gravura do século XIX. Fonte: UOL Educação.A Revolta de Canudos ocorreu entre 1896 e 1897 na Bahia. Havia desigualdades e muitas injustiças sociais. A concentração das terras nas mãos da elite (minoria) e os latifúndios improdutivos justificaram o conflito. Segundo Jorge Caldeira, historiador, "o massacre de Canudos foi revelador da enorme distância entre as intenções do novo governo republicano e a realidade em que vivia a imensa maioria dos brasileiros". O Presidente do Brasil era Prudente de Morais, representante dos cafeicultores que tomariam o poder a partir do Presidente Campos Sales. Diante da falta de perspectivas e sem referências no poder, os sertanejos encontraram em Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, a esperança da solução dos seus anseios.

Por ser carismático, Conselheiro arrebanhou seguidores às margens do rio Vaza-Barris onde foi fundada a aldeia de Belo Monte em 1893. Essa foi a opção encontrada pelos indivíduos como forma de resistência à exploração em que viviam. Os donos do poder (o Estado brasileiro) observaram que esta comunidade de sobrevivência era uma ameaça ao que estava constituído. Conforme explica Euclides da Cunha, Antônio Conselheiro reagiu aos republicanos, defendeu a volta da monarquia e conclamou o retorno de D. Sebastião (1554-1578), rei de Portugal, que foi morto em combate na batalha de Alcácer-Quibir, na África, ao tentar ampliar os poderes sobre aquele continente. Esta crença é denominada sebastianismo.

Mediante as ideias monarquistas e messiânicas da comunidade do Arraial de Canudos, ocorreram embates entre o Estado e essa população. No último deles (quarto confronto), sob o comando do general Artur Oscar de Andrade Guimarães e com o apoio do Ministro da Guerra, o marechal Machado Bittencourt, a comunidade foi destruída.

Considerações

A experiência do final do século XIX, relacionada ao problema da concentração da terra relatada por Euclides da Cunha, lembra certas manifestações presentes no dia a dia do brasileiro, como o fato que ocorreu em Eldorado dos Carajás aos 17 de abril de 1996. Foram assassinados 19 trabalhadores.

Para o saudoso Dom Ladislau Biernaski (1937-2012): "A causa da fome está na ganância de uma minoria latifundiária". Inclusive, numa entrevista concedida, no mês de setembro de 2009 ao Instituto Humanitas Unisinos, afirmou: "Nós constatamos que no Brasil existem muitas áreas improdutivas, sobretudo de latifúndios. Essas terras deveriam ser melhor ocupadas para produzir alimentos para o Brasil e o mundo".

Ora, a terra é uma das dádivas do Criador. Partindo deste conceito, partilharemos para evoluir. Na partilha compreenderemos mais a fome no Brasil como fenômeno ligado à terra. Assim, acredita-se que o principio da ética será resgatado.

Jorge Antonio de Queiroz e Silva é historiador, palestrante, professor e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.




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