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Sexualidade e homossexualidade na escola

Sexualidade e homossexualidade na escola
Jorge Antonio de Queiroz e Silva

Num dia, que foi de muita reflexão, percebi de perto a homofobia no cotidiano de uma das escolas em que trabalho. A homofobia, que é um preconceito social relacionado com a homossexualidade, se manifestou na escola de uma forma ignorante, a ponto de um aluno não se sentir incluído, e por isto se afastou da instituição.

Diante disso, resolvi pensar em algo que poderia ser feito, não somente em minhas aulas de história, mas em âmbito geral. Passei a conversar com outras pessoas para fazer um levantamento informal, sem julgamentos, da causa de tal preconceito em um ambiente educativo.

Das justificativas que ouvi, as mais comuns foram aquelas relacionadas com as lacunas na formação, quando esse tema não era discutido. Outras ligam-se com a falta de atualização por falta de leituras ou buscas pessoais de vencer o preconceito, como parte de um melhor desempenho docente. Busquei então as Diretrizes Curriculares da Educação Básica e vi que não tratam diretamente do tema.

Enquanto andava pelos corredores, pensando sobre o tema, fiquei sabendo que é comum os meninos utilizarem o ambiente do banheiro como local de trocas de ideias sobre curiosidades relacionadas com a sexualidade. Não que isso seja uma novidade, mas soube que, em contrapartida, foram repreendidos, sem que tivessem a oportunidade de falar a respeito.

Percebi, então, que teríamos um longo caminho a percorrer, não somente tentando vincular os conteúdos das disciplinas com o tema da sexualidade, mas também pela nossa atualização, especialmente quanto ao tema da homossexualidade.

Busquei diversos textos sobre o tema. Gostaria de citar neste momento o que trata da Invenção da homossexualidade, como forma de refletirmos juntos. O texto é do ponto de vista psicanalítico, mas a paráfrase a seguir pode ser facilmente compreendida, ao afirmar que cada um vive sua sexualidade no imaginário do seu contexto social. Existe, é verdade o desconhecimento de que são as convenções sociais que orientam as pessoas, assim se pensa ser "natural" que existam sujeitos homossexuais, bissexuais, heterossexuais, que são crenças ideológicas, consideradas válidas e universais para todos. Nas palavras de Ceccarelli (2008, p. 89):

"É por isso que uma das coisas mais difíceis a suportar é a diferença, sem que ela seja vivida como uma ameaça. Aceitar que o outro possa ser diferente abala nossa verdade, e mostra que a verdade é sempre a verdade de cada um, o que desvela a ilusão da existência de uma identidade última e absoluta, e revela que nossos referenciais são construções com tempo de vida limitado".

Há um discurso social que determina o que é sexualidade normal, o masculino, o feminino, o que faz com que a homossexualidade seja inventada e, principalmente, para que "o sujeito homossexual, marcado pelos ideais da sociedade, se sinta desviante", uma vez que não está inserido no "discurso dominante" (Ceccarelli, 2008, p. 89).

Nessas poucas palavras há um mundo de orientações. Estas mostram que não é preciso fazer cursos demorados para entender que a diferença do outro inquieta a minha verdade e que minhas crenças são construções do tempo. No entanto, o que pode, talvez, falar mais alto para nós, educadores é a necessidade de prestarmos atenção para o discurso social existente e livrar-se dele, se quisermos dar asas à nossa liberdade de ser e pensar.

Dica de leitura: Ceccarelli, P. R. A invenção da homossexualidade. In: BAGOAS. Estudos gays, gêneros e sexualidades. Natal, n. 2, p. 71-93, 2008. Disponível em: http://ceccarelli.psc.br/paulorobertoceccarelli/?page_id=163

Jorge Antonio de Queiroz e Silva é palestrante, historiador, professor. Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.

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